
Aqui estou eu, a evitar estudar a reforma protestante. Aqui estou eu a fingir que não tenho obrigações, que não há gente que dependa de mim, que eu não dependo de mim. Aqui estou eu, a escrever um texto sem razão de ser, num blog criado por razão nenhuma; sinto falta das férias.
Antes que isto se torne demasiado melancólico, vou escrever sobre outra coisa. Para fugir completamente ao assunto, vou escrever sobre nada. Não sei se serei boa a fazer isto, porque quando escrevo, falo, penso sobre algo, acabo sempre por fugir ao assunto, por divagar, por, como diz o meu pai, "tocar violino". Pergunto-svos a vós, pessoas iguais a mim, se será que se escrevermos, falarmos, pensarmos sobre nada acabaremos, como sempre a divagar. Se será que se escrevermos, falarmos, pensarmos sobre coisa nenhuma conseguiremos fugir a um assunto que não existe. Pergunto-vos a vós, se, pelo contrário, o nosso inconsciente consegue ser suficientemente forte para ignorar tudo isso e, mais uma vez, acabar por seguir outra linha, uma que nos guie a qualquer coisa completamente diferente do que estávamos a escrever, falar, pensar. Eu, eu não sei. Pergunto-vos a vós.
E aqui estou eu a fingir que sei escrever bem.
On Mondays I Rain.
Agora a frase em estrangeiro, a minha imagem de marca:
When nothing can see me, I can be or not to be.
And this is nothing…
(de alguem que não eu que não quis ser identificado, alguém que está farto de cinzentismos)


